
GS1-128: O Que É, Para Que Serve e Como Implementar na Sua Empresa
Categoria: Guias Técnicos | Print & Apply
Slug: gs1-128-o-que-e-como-implementar
Meta description: GS1-128 explicado em português: o que é, como funciona, quais os campos obrigatórios e como implementar na sua linha de produção. Guia prático da Digidata. Inclui informações sobre o código de barras gs1128.
Tempo de leitura: 7 minutos
Se fornece produtos para a grande distribuição em Portugal, já recebeu provavelmente um caderno de especificações com o requisito de etiquetas GS1-128 nas embalagens. Se ainda não recebeu, vai receber — é questão de tempo. O Continente, o Pingo Doce, o Auchan e praticamente todos os grandes retalhistas europeus exigem este padrão.
Este artigo explica o que é o GS1-128, o que contém, como gerar os dados correctamente e o que precisa de ter implementado na sua linha de produção para cumprir o requisito.
O código de barras gs1128 é fundamental para garantir a correta identificação dos produtos na cadeia de suprimentos.
O que é o GS1-128
Importância do código de barras gs1128 na logística
O GS1-128 é um padrão internacional de código de barras linear desenvolvido pela organização GS1. É uma variante do código de barras Code 128 que usa uma sintaxe específica — os Identificadores de Aplicação (IA) — para codificar diferentes tipos de informação numa única sequência.
O nome “GS1” refere-se à organização global que gere os padrões de identificação de produto (a mesma organização que gere os EAN-13 dos produtos de consumo). O “128” refere-se ao conjunto de caracteres Code 128, que permite codificar todos os 128 caracteres ASCII.
O GS1-128 é diferente de um código de barras de produto normal. Enquanto o EAN-13 identifica apenas o produto, o GS1-128 pode conter múltiplas informações numa única etiqueta: número de lote, data de validade, quantidade, peso, SSCC (número de série de contentor de expedição) e muito mais.
Os Identificadores de Aplicação (IA)
Cada campo de informação no GS1-128 começa com um Identificador de Aplicação — um código numérico de 2 a 4 dígitos que define o tipo de dados que se segue. Esta estrutura permite ao sistema de leitura interpretar correctamente cada parte da informação.
Os IA mais usados na indústria portuguesa:
| IA | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| (00) | SSCC — Número de Série de Contentor de Expedição | 18 dígitos |
| (01) | GTIN — Número Global de Item Comercial | 14 dígitos |
| (02) | GTIN do conteúdo de uma embalagem agrupadora | 14 dígitos |
| (10) | Número de lote | Até 20 caracteres alfanuméricos |
| (11) | Data de produção (AAMMDD) | 6 dígitos |
| (13) | Data de embalagem (AAMMDD) | 6 dígitos |
| (15) | Best before (AAMMDD) | 6 dígitos |
| (17) | Data de validade (AAMMDD) | 6 dígitos |
| (20) | Variante de produto | 2 dígitos |
| (21) | Número de série | Até 20 caracteres alfanuméricos |
| (30) | Quantidade (contagem de itens) | Até 8 dígitos |
| (310n) | Peso líquido em kg (n = casas decimais) | 6 dígitos |
| (37) | Quantidade de unidades em embalagem | Até 8 dígitos |
O SSCC — o campo mais importante para logística
O SSCC (Serial Shipping Container Code) é o número que identifica univocamente cada unidade logística — seja uma caixa, uma palete ou um contentor. É o equivalente a um “número de matrícula” para a embalagem.
O SSCC tem 18 dígitos e é composto por:
- Dígito de extensão (1 dígito)
- GS1 Company Prefix da sua empresa (entre 7 e 10 dígitos — atribuído pela GS1 Portugal)
- Referência da unidade logística (dígitos variáveis)
- Dígito de controlo (1 dígito, calculado automaticamente)
Para gerar SSCCs correctamente, a sua empresa precisa de estar registada na GS1 Portugal e ter um GS1 Company Prefix atribuído. O registo é feito em gs1pt.org.
O que a grande distribuição exige na prática
Os requisitos variam por retalhista, mas o padrão mais comum para etiquetas de caixa/palete em Portugal inclui:
Campos obrigatórios:
- SSCC (IA 00) — identificação única da unidade logística
- GTIN (IA 01 ou 02) — identificação do produto
- Número de lote (IA 10)
- Data de validade (IA 17) ou best before (IA 15)
Campos frequentemente exigidos:
- Quantidade (IA 30 ou 37)
- Peso líquido (IA 310n)
Requisitos de formato:
- Código de barras: mínimo 25mm de altura, largura variável conforme o número de caracteres
- Impressão com resolução mínima de 203dpi para garantir leitura por scanner
- Texto legível por baixo do código de barras (texto humano)
- Posicionamento específico na embalagem (geralmente canto inferior direito ou canto inferior esquerdo)
Como gerar os dados GS1-128 na sua empresa
Há três abordagens, por ordem de complexidade:
1. Software de etiquetagem autónomo
Ferramentas como o NiceLabel ou o Bartender permitem criar templates GS1-128 onde os campos são preenchidos manualmente ou importados de um ficheiro CSV. Adequado para volumes baixos e dados relativamente estáveis.
2. Integração com ERP/WMS
O ERP (SAP, Primavera, PHC) gera os dados da etiqueta — SSCC, lote, validade, quantidade — e envia-os para o software de etiquetagem. A etiqueta é impressa automaticamente com os dados correctos para cada encomenda. Adequado para volumes médios e dados variáveis.
3. Sistema Print & Apply integrado
O sistema mais completo: o ERP/WMS comunica em tempo real com o sistema Print & Apply, que imprime e aplica automaticamente a etiqueta correcta em cada caixa ou palete. O SSCC é gerado sequencialmente, o sistema regista cada aplicação e gera o log de rastreabilidade. Adequado para linhas de produção com volumes elevados e exigências de rastreabilidade completa.
Erros comuns na implementação do GS1-128
1. Gerar SSCCs incorrectamente
O SSCC tem um dígito de controlo calculado pelo algoritmo de Luhn. Se não for calculado correctamente, os scanners dos clientes recusam a etiqueta. O software de etiquetagem certificado GS1 faz este cálculo automaticamente.
2. Usar o GS1 Company Prefix errado
Cada empresa tem o seu prefixo único. Usar o prefixo de outra empresa (por exemplo, o do fornecedor da embalagem) gera conflitos no sistema do cliente.
3. Reutilizar SSCCs
O SSCC é um número único e nunca deve ser reutilizado — mesmo depois de a encomenda ser entregue. O sistema deve garantir numeração sequencial sem repetições.
4. Qualidade de impressão insuficiente
Um código de barras mal impresso (baixa resolução, mancha, ribbons gastos) pode ser ilegível nos scanners de armazém. A impressão a 203dpi com ribbon adequado e cabeça de impressão em bom estado é essencial.
5. Não testar com o cliente antes de arrancar
Cada retalhista tem especificações ligeiramente diferentes. Antes de iniciar expedições com etiquetas GS1-128 novas, validar o formato com o departamento de logística do cliente.
O que precisa para implementar GS1-128 na sua empresa
Registo na GS1 Portugal — para obter o GS1 Company Prefix. Custo anual variável conforme o número de produtos e volume de negócio.
Software de etiquetagem — NiceLabel ou Bartender são os mais usados em Portugal. Ambos têm suporte nativo para GS1-128 e geração de SSCC.
Impressora térmica industrial — resolução mínima de 203dpi, recomendado 300dpi para etiquetas de menor dimensão. As impressoras SATO, Zebra e TSC são as mais usadas nos armazéns portugueses.
Ribbon adequado — para garantir qualidade de impressão consistente. Ribbon de cera misto para papel, ribbon de resina para etiquetas sintéticas.
Integração com ERP — para linhas com volume elevado e dados variáveis, a integração é essencial para evitar erros manuais.
Perguntas frequentes
Tenho de me registar na GS1 mesmo que seja uma PME?
Se os seus clientes exigem etiquetas GS1-128 com SSCC, sim — precisa de um GS1 Company Prefix. A GS1 Portugal tem planos adaptados a diferentes tamanhos de empresa.
Posso gerar o SSCC em Excel?
Tecnicamente é possível calcular o algoritmo em Excel, mas não é recomendado para uso em produção — o risco de erro humano é elevado. O software de etiquetagem certificado garante a geração correcta e evita duplicações.
O meu cliente usa um formato diferente do padrão GS1. O que faço?
Alguns grandes retalhistas têm requisitos adicionais ao padrão base (campos extra, posicionamento específico, texto adicional). Nestes casos, o caderno de especificações do cliente prevalece. O software de etiquetagem permite criar templates personalizados que cumprem estas especificações.
Preciso de certificação GS1 para as minhas etiquetas?
Não existe uma “certificação de etiqueta” formal — o que existe é a verificação do código de barras (com um verificador calibrado) para garantir que está dentro dos parâmetros de qualidade definidos na norma ISO 15416. Alguns clientes grandes podem exigir este relatório de verificação.
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